Era uma vez
(e esta história é verdadeira)
um conto português
de uma brasileira
Fim de tarde de Verão
e o rapaz sereno
toca ao rés-de-chão
e escuta: “Eu atendo!”
Abre a porta então
em trajes bem pequenos
um baita mulherão
(eu sei, mentir é feio...)
Se foi lá apenas pra passar
ela não quis nem saber
obrigou-o a entrar
e convidou-o a comer
Por enquanto, melancia
mas o assunto esquentou
de namoro a fantasia
foi assim que revelou:
“Eu gosto de apanhar
e meu marido não batia”
“Era pra cachorra ele gritar!
mas sussurrava: ‘cachorrinha’”
A menina, de shortinho
cujo nome era ***
explicava direitinho
suas maratonas na cama
Ele até pensou citar
Nelson Rodrigues ou Bocage
mas preferiu se calar
e ouvir a sacanagem
Pois a história ganhou vida
tornou-se lenda lisboeta
“Não escapa um gajo à rapariga!”
diziam à torto e à direita
Pura maldade machista
com esta nobre cearense
só porque a sua lista
vai de italiano a israelense?
O que vale é ser feliz
afinal, disso que se trata
seja santinha ou meretriz
goste de beijo ou de tapa
* Baseado em fatos reais. O nome da personagem foi omitido.