Um homem na janela
de terno e gravata
observa o nada
e pensa nela
Um homem na janela
de terno e gravata
repousa a prata
na palma amarela
Um homem na janela
de terno e gravata
traz na mão uma faca
e no coração a mazela
Um homem na janela
de terno e gravata
caminha à sacada
e rompe a tela
O vento apaga a vela
que enfeita a amada
de pele enrugada
e ainda assim tão bela
O homem da janela
agoniza na calçada
onde um dia, do nada
acenou para ela
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